terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Esporte é vida... por quê não praticar ?

Esporte Amigo: José Amâncio, 67, trocou o vício da bebida pelo da corrida

Diana Gomes
Gildo Lima/Agência A TARDE
“Sempre conto que considero o dia 11 de outubro de 2008 a data do meu renascimento” diz o aposentado
“Sempre conto que considero o dia 11 de outubro de 2008 a data do meu renascimento” diz o aposentado
Em uma manhã ensolarada, José Amâncio chega ao Jardim de Alah, point dos corredores de Salvador, com uma disposição de dar inveja a muito jovem tirado a esportista. De short, camiseta, tênis e com um sorriso largo, o ex-bancário se prepara para mais um treino de corrida.
Aos 67 anos, o aposentado José Amâncio Neto escreveu a virada da sua vida com muito suor para trocar o vício da bebida pelo da corrida. Há apenas três anos, a mesa de um bar ou as festinhas regadas à bebidas em sua residência eram o local mais provável para seu paradeiro.
Por muito anos, sua fiel companheira foi a bebida. A cerveja era a preferida entre tantos outras opções que ele havia experimentado ao longo da vida. No início, ela servia como uma espécie de relaxante para o dia estressante que levava como gerente de um banco. Para piorar, o cargo de gerência também o forçava a cumprir uma dura rotina social, que quase sempre incluía a bebida entre os atrativos. Era um círculo vicioso.
Com a aposentadoria, o envolvimento com a bebida ficou ainda maior. Se nos tempos de gerente a cerveja só tinha vez à noite, como aposentado o dia estava livre para começar a beber pela manhã e só parar à tarde. E mesmo reconhecendo que bebia bastante, José Amâncio conta que nunca havia se incomodado com esse fato. “Quem bebe gosta de reunir a família, os amigos, que também bebem para jogar conversa fora. E eu gostava de beber. Me sentia bem, nunca cheguei ao fundo do poço”, lembra.
Até que no dia 11 de outubro de 2008 tudo mudou. Amâncio havia procurado ajuda médica para tentar emagrecer e parar de beber depois que identificou algumas alterações em exames. Recebeu então a prescrição de um remédio que o faria perder o gosto pelo remédio – ou seja, a cerveja – não mais desceria redonda.
E foi exatamente isso que acontece no dia 11 de outubro. O aposentado bebia em casa com a família quando começou a sentir um mal estar, que o fez parar de beber em definitivo.
Início da corrida - Quando parou com o álcool, foi um pulo para começar a correr. Ele que já fazia caminhadas na orla, procurou a ajuda de um profissional de educação física e entrou para um grupo de corrida. “O início é muito difícil. Quem não está acostumado a correr, corre 50 metros e acha que vai morrer. Correr com outras pessoas nos ajuda a não desistir”, diz.
A corrida fez com que Amâncio finalmente perdesse peso. Ele passou dos 100 para os 82 kg, além de ter conseguido normalizar as taxas de glicemia e triglicérides. “Hoje estou melhor do que quando eu tinha 40 anos”, afirma.
Depois de começar a correr contanto postes (o atleta corre de um poste até o outro, depois anda na sequência seguinte e assim por diante), hoje o aposentado de 67 anos gaba-se de correr provas de 5 km em 29 minutos e provas 10 km em 1 hora e 1 minuto. O objetivo agora é correr abaixo de 1 hora.

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